Recuperação da economia global deve ser difícil apesar de animação nos mercados

Pesquisa com 500 economistas de 46 países mostra que acordo comercial entre EUA e China não reduziu incertezas. Além disso, eles avaliam que as ações do bancos centrais para estimular a demanda não estão surtindo efeito. Uma recuperação significativa da economia global será difícil de alcançar este ano, já que muitos países ainda enfrentam uma série de riscos, apesar do sentimento de melhora com o acordo comercial entre Estados Unidos e China e da ebulição nos mercados financeiros.
É o que mostra uma pesquisa da Reuters com mais de 500 economistas de 46 grandes economias, realizada entre os dias 10 a 22 de janeiro.
Segundo eles, a economia global em 2019 pode estar próxima de seu nível mais fraco desde a crise financeira, graças ao protecionismo comercial e à incerteza política, mas as ações de empresas pelo mundo tiveram um ano de ruptura, com vários índices atingindo, repetidamente, máximas recordes.
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Com alta chance de a política monetária flexível dos bancos centrais continuar, essa divisão entre mercados e eventos externos a ele pode se estender até este ano.
Quando perguntados sobre o que é mais provável para as economias de mercado desenvolvidas e emergentes este ano, mais de três quartos dos economistas disseram “praticamente o mesmo que no ano passado”, em termos de taxas de crescimento.
“As tendências de crescimento do mundo são sustentáveis, mas frágeis. Não vemos altos riscos de recessão nas principais economias, nem esperamos um aumento acentuado da inflação. Mas respeitamos a dinâmica do ciclo tardio e vários riscos políticos e de longo prazo”, disse James Sweeney, economista-chefe do Credit Suisse.
“A manufatura e o comércio globais estão em queda desde o final de 2018, mas os indicadores cíclicos provavelmente melhorarão em 2020. É improvável que a recuperação seja vigorosa”, afirmou Sweeney.
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Incerteza comercial continua
Embora pouquíssimos economistas tenham previsto uma desaceleração mais profunda este ano, também não há muitos que preveem uma recuperação significativa, apesar da euforia que cerca o acordo comercial inicial entre Washington e Pequim, que aliviou quase dois anos de tensões crescentes entre as duas maiores economias do mundo.
“No final, não esperamos que isso (acordo comercial) faça com que a confiança dos negócios volte à tona. Não acreditamos que a incerteza na política comercial esteja diminuindo”, disse Jim O’Sullivan, macro estrategista-chefe da TD Securities.
Nas últimas pesquisas da Reuters, as perspectivas de crescimento para 2020 para quase 75% das 46 principais economias foram cortadas ou mantidas em relação à pesquisa anterior. Da mesma forma, as perspectivas de inflação para quase 85% dessas economias foram reduzidas ou mantidas.
A maioria dos bancos centrais deve manter seu viés de flexibilização, apesar do crescente ceticismo sobre sua capacidade de influenciar no crescimento ou na inflação. As previsões para o próximo movimento provável ainda estavam inclinadas para corte de juros em vez de um afastamento das políticas de eras de crise.
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Embora a maioria dos grandes bancos centrais tenha conseguido evitar uma desaceleração econômica mais profunda, eles falharam coletivamente em estimular a demanda em suas respectivas economias – o que não se espera que mude pelo menos até 2021.
“Esperamos que a maior parte da década de 2020 seja caracterizada por crescimento lento e inflação muito baixa”, disse Jennifer McKeown, chefe de economia global da Capital Economics.
Projeção para o crescimento global
A expectativa é de que a economia global cresça 3,1% este ano, inalterada em relação à mediana de outubro e a mais fraca desde o início das pesquisas para esse período, em abril de 2018. Isso é apenas um pouco melhor do que no ano passado. A última previsão de crescimento mundial do Fundo Monetário Internacional (FMI) estava lentamente convergindo para o consenso da Reuters, diminuindo de 3,4% para 3,3%, seu terceiro corte direto nas perspectivas para 2020.
Os bancos centrais de mercados emergentes afrouxaram agressivamente sua política monetária, mas uma recuperação nas economias em desenvolvimento também tem sido difícil, com taxas de crescimento em algumas das maiores se movendo na direção oposta.
O crescimento econômico da China deve diminuir para a mínima de 30 anos de 5,9% este ano, devido ao consumo doméstico mais lento e à demanda global reduzida. A economia brasileira, em meio à sua recuperação mais fraca da recessão, acelerará este ano, mas não muito, crescendo 2,1%.
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Fonte: ECONOMIA

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