O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o coronavírus

O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o coronavírus


Nova versão do vírus que surgiu em 1960 já matou 17 pessoas e mais de 500 casos foram registrados; ao menos três cidades chinesas entraram em quarentena para tentar frear a contaminação. Amostra laboratorial do coronavírus, que pode causar desde resfriados comuns até SARS e MERS
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A nova epidemia de coronavírus já matou 17 pessoas e infectou mais de 500 na China. Relatos da doença foram identificados em outros cinco países: Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan e Coreia do Sul.
No Brasil, o Ministério da Saúde descartou um caso suspeito de Minas Gerais.Segundo a pasta, o caso “não se enquadra na definição de caso suspeito da Organização Mundial da Saúde (OMS)”.
Mas, por que este vírus está infectando tantas pessoas? Confira abaixo o que se sabe e o que ainda falta esclarecer sobre o coronavírus:
Qual é a origem do vírus?
Onde surgiram os primeiros casos?
Onde estão as infecções?
Onde ocorreu a primeira morte?
Que medidas foram adotadas para evitar a proliferação do vírus?
Como ocorre a transmissão?
Quais são os sintomas?
É um vírus que vem pra ficar ou vai ‘desaparecer’?
Qual é o status de transmissão entre países?
22 de janeiro de 2020 – Trabalhadores produzem máscaras em uma fábrica em Handan, na província de Hebei, no norte da China. País proibiu trens e aviões de deixar Wuhan, epicentro do surto de coronavírus.
STR / AFP
1. Qual é a origem do vírus?
De acordo com o Ministério da Saúde, os primeiros coronavírus foram identificados em meados da década de 1960.
A variação que está infectando diversas pessoas na China e em outros 6 países é conhecido tecnicamente como 2019-nCoV. Ainda não está claro como ocorreu a mutação.
Outras variações mais antigas de coronavírus, como SARS-CoV e MERS-CoV, são conhecidas pelos cientistas. Estas variações foram transmitidas entre gatos e humanos e entre dromedários e humanos, respectivamente.
2. Onde surgiram os primeiros casos?
A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta da doença em 31 de dezembro de 2019, depois que autoridades chinesas notificaram casos de uma misteriosa pneumonia na cidade de Wuhan, metrópole chinesa com 11 milhões de habitantes.
Esta epidemia estava atingindo pessoas que tiveram alguma associação a um mercado de frutos do mar em Wuhan – o que despertou a suspeita de que a transmissão desta variação de coronavírus ocorreu entre animais marinhos e humanos. O mercado foi fechado para limpeza e desinfecção.
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No entanto, ainda não se sabe qual foi o animal responsável nem como ele vetorizou a doença para os humanos – nem mesmo se está associado aos animais marinhos. Também não se sabe se as pessoas infectadas ingeriram algum alimento contaminado. Essas informações ainda estão sendo investigadas pelos cientistas.
3. Onde estão as infecções?
Até a manhã desta quinta-feira (23), foram registrados casos na China e em outros seis países: Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan e Coreia do Sul.
Na China, há registro da doença em ao menos 14 localidades: Liaoning, Tianjin, Shandong, Pequim, Hubei, Chongquing, Sichuan, Hunan, Yunnan, Macau, Guangdong, Jiangxi, Zheijang e Wuhan.
Há ainda casos suspeitos no México, em Hong Kong, nas Filipinas e na Austrália. No Brasil, uma suspeita em Minas Gerais foi descartada pelo Ministério da Saúde.
4. Onde ocorreu a primeira morte?
Na China, foi em 9 de janeiro. Um chinês de 61 anos foi a primeira vítima. O paciente foi hospitalizado com dificuldades de respiração e pneumonia grave, e morreu após uma parada cardíaca. Naquele momento, 41 pessoas já haviam se infectado.
5. Que medidas foram adotadas para evitar a proliferação do vírus?
Ao menos três localidades chinesas suspenderam a circulação do transporte público, uma medida para tentar evitar que o vírus se espalhe. Todas estão na província de Hubei.
Wuhan – considerada o epicentro da transmissão do vírus – foi a primeira localidade a adotar a medida, nesta quarta-feira (22).
Nesta quinta (23), outras duas cidades vizinhas a Wuahan – Huanggang e Ezhou – seguiram a mesma recomendação e suspenderam a circulação de trens.
Fora da China, os Estados Unidos anunciam procedimentos de detecção do vírus em três importantes aeroportos do país, incluindo um em Nova York em 17 de janeiro. Além dos EUA, aeroportos na Turquia, na Rússia e na Austrália passaram a utilizar monitores infravermelhos para identificar possíveis casos da doença. O aeroporto de Heathrow, em Londres, separou um terminal só para os viajantes que chegam de regiões já afetadas pelo vírus.
6. Como ocorre a transmissão?
A transmissão de pessoa para pessoa foi “provada”, admitiu o cientista chinês Zhong Nanshan à rede estatal CCTV em 20 de janeiro.
O que ainda precisa ser esclarecido, de acordo com o infectologista Leonardo Weissmann, é a capacidade de transmissão.
“O vírus é da mesma família dos coronavírus, mas, por ser novo, não se sabe quão contagioso ele é. Sabemos só que as pessoas foram até o mercado da China. Mas qual é o nível de contágio? Pode ser só via aérea, secreções?” – Leonardo Weissmann. infectologista.
Weissmann lembrou o caso do sarampo. Apesar de ser um vírus diferente, os cientistas sabem que um paciente pode transmitir para até outras 20 pessoas, o que o torna um vírus bastante contagioso.
Sobre o 2019-nCoV, não há ainda uma estatística do tipo, nem taxa de letalidade prevista pelos cientistas.
Outro ponto ainda a esclarecer está relacionado ao perfil dos pacientes. Os idosos geralmente são mais suscetíveis a casos mais graves por infecções do influenza, como o H1N1. Ainda não está claro se isso se repete entre as pessoas infectadas pelo 2019-nCoV. No caso da febre amarela, por exemplo, os homens são mais afetados nas infecções do Brasil. Os médicos ainda precisam traçar um perfil do paciente com o novo coronavírus.
7. Quais são os sintomas?
Foram identificados sintomas como febre, tosse, dificuldade em respirar e falta de ar. Em casos mais graves, há registro de pneumonia, insuficiência renal e síndrome respiratória aguda grave.
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8. É um vírus que vem pra ficar ou vai ‘desaparecer’?
Não se sabe ainda. Alguns vírus, como o da catapora, não voltam a causar a doença novamente após uma primeira infecção.
No caso do vírus da zika, por exemplo, o corpo responde e a mesma pessoa não passa a ser afetada novamente, o que gera uma redução natural no número de casos.
A ciência ainda precisa estudar se o 2019-nCoV gera uma resposta imune definitiva ou se uma pessoa pode ser infectada mais de uma vez.
9. Qual é o status de transmissão entre países?
Uma comissão foi criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para debater a gravidade do surto e sua capacidade de disseminação internacional. Nesta quarta-feira (22), os integrantes informaram que precisam de mais informações. Uma nova reunião foi marcada para esta quinta (23) para entender se o caso é uma nova emergência de saúde pública de interesse internacional.
Até o momento, esse tipo de alerta ocorreu apenas em casos raros de epidemias que exigem uma vigorosa resposta, como a gripe suína H1N1 (2009), o zika vírus (2016) e a febre ebola, que devastou parte da população da África Ocidental de 2014 a 2016 e ainda atinge a República democrática do Congo desde 2018.
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Fonte: SAUDE

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