'Só deixamos eles terminarem e demos divulgação', diz presidente do BNDES sobre auditoria

Auditoria contratada de R$ 48 milhões não encontrou irregularidades no banco. Presidente Jair Bolsonaro prometeu abrir a ‘caixa-preta’ da instituição. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, afirmou nesta quarta-feira (22), que a auditoria feita nas contas do banco a um custo de R$ 48 milhões – e que não encontrou irregularidades – foi contratada entre 2017 e 2018, antes da atual administração.
“Não foi essa diretoria que contratou essa despesa. Quando nós chegamos em julho, o relatório estava 90% pronto. Só deixamos eles terminarem e demos divulgação dele”, afirmou Montezano, que participa do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Ele negou, no entanto, a possibilidade de ser realizada uma ‘auditoria da auditoria’.
BNDES gasta R$ 48 milhões com auditoria para investigar transações do banco
A auditoria analisou os negócios entre o banco e as empresas do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O resumo do relatório da investigação feita no BNDES tem oito páginas e foi realizada por auditores externos.
Segundo o executivo, o relatório completo foi entregue ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas da União. “Cabe a eles fazer o julgamento, a análise”, disse.
Montezano mencionou operações realizadas pelo banco em anos anteriores, como os empréstimos direcionados à construção do porto de Mariel e à Odebrecht, e apontou ser “difícil” explicar à população que essas operações não foram ilegais.
De acordo com ele, a notícia de que o banco pagou R$ 48 milhões pela auditoria foi “mal interpretada pela sociedade novamente”, por isso é necessário explicar que a divulgação do relatório se trata de uma ação de transparência do banco. “O público qualificado entendeu a mensagem, entendeu que estamos sendo transparentes. O cidadão comum também começou a receber e entender isso corretamente”, disse.
“Nossa função como executivo do banco é trabalhar para que primeiro o banco recupere sua reputação, isso já esta acontecendo. Segundo, certificar que órgãos de controle, órgãos supervisores, garantir que a gente tem total acesso à informação. E terceiro fomentar a população com a informação adequada”.
O presidente do BNDES afirmou ainda que uma comparação entre os casos da Petrobras e do BNDES é “perigosa”. “Acho que a analogia do que foi feito com Petrobras é muito perigosa e até infeliz. Porque na Petrobras você teve prova de crime. BNDES está na ponta oposta disso. Até hoje nenhum diretor nem funcionário foi provado de nada”, apontou.
‘Caixa-preta’
Desde a campanha de 2018, o presidente Jair Bolsonaro tem falado em “abrir a caixa-preta do BNDES”. A abertura da “caixa-preta” foi uma das missões dadas por Bolsonaro ao presidente do BNDES, Gustavo Montezano, que tomou posse em julho.
Ex-presidentes do banco, como Joaquim Levy, Luciano Coutinho, Paulo Rabello de Castro e Dyogo Oliveira chegaram a afirmar que não havia evidências de irregularidades no BNDES. A auditoria, apresentada no mês passado, não encontrou irregularidades nas oito operações investigadas.
No relatório, foram analisados mais de 3 milhões de dados eletrônicos de funcionários e ex-funcionários.
“A Equipe de Investigação não encontrou durante sua análise nenhuma evidência direta de corrupção em conexão com as Operações”, aponta o resumo do relatório final da investigação.
O BNDES declarou, em nota, que o documento foi entregue ao Ministério Público Federal, que está analisando cada uma das operações investigadas. A OAB disse nesta terça-feira (22) que vai solicitar informações sobre o contrato com o escritório estrangeiro de advocacia. A entidade quer saber se essa contratação é legal.
‘Nada mais a esclarecer’
Em meados de dezembro, ao apresentar o plano trianual do banco, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, afirmou ter cumprido a promessa de abrir a “caixa-preta” do banco, considerada por ele, à época de sua posse, a “meta zero”, ou seja, prioritária da sua gestão.
“Hoje, entendemos que não há nada, nenhum evento a mais, que requer esclarecimentos. A sociedade está com informação de qualidade e substancial”, afirmou Montezano.
Fonte: ECONOMIA

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