Jeff Bezos: o que se sabe até agora sobre a suspeita de invasão do celular do homem mais rico do mundo

Jeff Bezos: o que se sabe até agora sobre a suspeita de invasão do celular do homem mais rico do mundo


Fundador da Amazon teria sido vítima de espionagem iniciada por arquivo de vídeo enviado pelo príncipe herdeiro da Arábia Saudita via WhatsApp. Entenda o caso. A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu nesta quarta-feira (22) que os Estados Unidos e outras autoridades relevantes investiguem a suspeita de que o celular do dono da Amazon, Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo, tenha sido invadido por meio de um vídeo enviado por um príncipe árabe.
Como um vídeo pode roubar informações do celular?
Segundo o relatório da ONU, as informações recebidas sugerem o envolvimento do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, para vigiar o bilionário no intuito “de influenciar, se não silenciar” reportagens do jornal “Washington Post”, do qual Bezos é dono, sobre o país.
Veja o que se sabe até agora sobre o caso:
Veja o que se sabe sobre a suspeita de invasão do celular de Jeff Bezos por príncipe saudita
Guilherme Luiz Pinheiro/G1
Quem é Jeff Bezos?
Fundador da Amazon, o norte-americano Jeff Bezos é o homem mais rico do mundo, de acordo com o ranking de bilionários da revista Forbes. A fortuna do empresário está estimada em mais de US$ 131 bilhões.
O jornal Washington Post é um investimento pessoal de Jeff Bezos, e não da Amazon
AFP
Além da Amazon, Bezos comprou em 2013 o jornal americano “The Washington Post”, cujo jornalista e articulista Jamal Kashoggi — famoso por ser crítico ao governo saudita — foi assassinado em uma embaixada da Arábia Saudita na Turquia em outubro de 2018.
Como teria sido a espionagem?
A suspeita é de que um programa de espionagem tenha sido instalado no iPhone de Bezos por meio de um vídeo enviado pelo WhatsApp.
Segundo o jornal britânico “The Guardian”, uma análise técnica feita a pedido da equipe de Bezos no telefone do bilionário revelou que ele recebeu um vídeo no formato MP4 enviado pela conta pessoal do príncipe Mohammed bin Salman, herdeiro da coroa árabe, que estava entre seus contatos.
O vídeo foi enviado em 1º de maio de 2018, segundo a análise.
Horas depois, uma quantidade de dados maior que a usual passou a sair do celular de Bezos. Isso durou alguns meses e mais de 4 GB de dados foram transmitidos do aparelho dele, de acordo com a consultoria que vistoriou o telefone.
Baseado nessa análise, o relatório de especialistas da Comissão de Direitos Humanos da ONU também citou que o roubo de dados pode ter sido realizado pelo Pegasus-3, um programa de computador comercializado pela empresa israelense especializada em soluções de espionagem NSO Group.
Ela detém uma reconhecida capacidade para realizar ataques sofisticados, inclusive contra o WhatsApp. O Pegasus-3 já teria sido usado em 45 países, inclusive no Brasil.
A atuação da NSO no WhatsApp levou o Facebook, dono do aplicativo, a mover um processo, contra ela, em outubro passado, alegando que a espionagem de usuários viola os termos de uso da plataforma e causa prejuízos para a companhia.
Em novembro último, o WhatsApp disse que corrigiu uma falha que podia atacar celulares com arquivos de vídeo, mas afirmou que não havia qualquer informação que indicasse que esta brecha foi utilizada em ataques reais.
Qual a ligação entre o príncipe e Bezos?
Mohammed bin Salman, conhecido como MBS, é príncipe e herdeiro do trono da Arábia Saudita. Ele e Bezos se conheciam. Uma foto divulgada em 2016 pelo Palácio Real saudita mostra o empresário ao lado de MSB e outros convidados.
Em outubro de 2018, 6 meses depois do suposto ataque ao telefone de Bezos, o jornalista e articulista do “Washington Post”, Jamal Kashoggi — famoso por ser crítico ao governo saudita — foi brutalmente assassinado em no consulado da Arábia Saudita na Turquia. O caso teve repercussão mundial.
Mohammed bin Salman virou líder da Arábia Saudita em 2017
Reuters/Sergio Moraes
Inicialmente, a Arábia Saudita classificou a acusação de que o jornalista foi morto no consulado como “infundada” e “mentirosa”, e negou a morte. Mas o “Washington Post”, que pertence a Bezos, citou a existência de uma gravação de áudio que mostraria como o jornalista foi interrogado, agredido e morto no local.
Dias depois, autoridades sauditas confirmaram a morte, que foi classificada como um “erro sério”, do qual o príncipe “não estava ciente”. No ano passado, Mohammed bin Salman disse em entrevista a uma TV americana que assumia toda a responsabilidade, mas negou ter ordenado o crime.
No entanto, especialistas da ONU que acompanham as investigações suspeitam de seu envolvimento.
Dizem que Bin Salman teria um padrão de espionagem contra seus opositores semelhante ao que foi levantado no caso Bezos. E que, em relação ao empresário, a intenção dele era de influenciar, se não silenciar” reportagens do jornal “Washington Post” sobre o país.
Por isso, a ONU pediu investigação imediata do suposto hackeamento pelos EUA e autoridades competentes.
Dados do celular de Bezos vazaram?
Cerca de 9 meses depois de ter sido supostamente hackeado, Bezos veio a público denunciar o tabloide americano “National Enquirer” por usar fotos íntimas para chantageá-lo.
Um mês antes da denúncia, o bilionário havia anunciado um divórcio e teve detalhes de uma relação extraconjugal revelados pelo mesmo tabloide minutos após o anúncio da separação.
Jeff Bezos e sua ex-esposa MacKenzie
Danny Moloshok/Foto de arquivo/Reuters
O caso levou o dono da Amazon a iniciar uma investigação contra a editora da publicação, a American Media Inc (AMI). A equipe de Bezos chegou a afirmar que a cobertura do caso feita pela National Enquirer teve “motivações políticas”.
Na época, o bilionário mencionou laços da AMI com o presidente dos EUA, Donald Trump, e também com a a Arábia Saudita.
Até o momento, não se sabe, no entanto, se suposta invasão do celular está relacionada com a exposição das fotos íntimas.
A análise técnica do celular de Bezos apontou, segundo a ONU, que o príncipe mandou mensagens de WhatsApp para o empresário em novembro de 2018 e fevereiro de 2019, em que relevaria ter informações privadas e confidenciais sobre a vida pessoal do empresário.
Além disso, durante o mesmo período, Bezos e teria sido amplamente atacado nas redes sociais sauditas como um oponente do reino, o que os especialistas da ONU descreveram como “parte de uma campanha massiva e clandestina on-line”.
O que dizem os envolvidos?
Jeff Bezos ainda não se manifestou sobre a suspeita de que o vídeo enviado pelo príncipe provocou a invasão de seu celular. Nesta quarta (22), ele tuitou uma foto de 2019, da cerimônia de 1 ano do assassinato de Kashoggi, usando apenas a hashtag #Jamal
Initial plugin text
A Arábia Saudita, por meio de sua embaixada nos Estados Unidos, considerou a suspeita de envolvimento da coroa saudita no caso Bezos como “absurda”, em post feito também no Twitter na última terça (21). E também defendeu que exista uma investigação, mas não apontou quem deveria fazê-lo.
Initial plugin text
O WhatsApp foi procurado pelo G1 nesta quarta, mas, até a publicação deste texto, não houve retorno.
Em maio passado, o aplicativo divulgou ter encontrado uma vulnerabilidade em seu sistema que permitiria que hackers instalassem de maneira remota um tipo de “spyware”, um software espião, para ter acesso a dados do aparelho, em alguns telefones.
Em outubro, anunciou que processou a empresa israelense NSO Group, especializada na criação de programas espiões comerciais voltados a entidades de segurança pública, por usar essa vulnerabilidade no recebimento de chamadas em vídeo para enviar códigos maliciosos a 1.400 usuários do WhatsApp entre abril e maio daquele ano.
A NSO nega que seu software seja usado de forma ilícita e alega que suas soluções são vendidas exclusivamente para autoridades policiais que necessitam investigar criminosos e terroristas. Mas não informa quem são seus clientes.
É possível usar vídeo para invadir celular?
Segundo o especialista em segurança digital e colunista do G1, Altieres Rohr, é possível que um arquivo de vídeo recebido pelo aplicativo de mensagens levar ao vazamento de dados armazenados no smartphone. Porém, apenas em condições específicas.
Rohr afirmou que, para garantir que o ataque funcione, normalmente o criminoso precisa recolher todas as informações possíveis sobre o alvo, como a versão do sistema e o modelo do aparelho.
“Por essa razão, esses ataques são considerados sofisticados e não fazem parte das ameaças “de massa” enfrentadas pela maioria das pessoas. Para Bezos, no entanto, esse não é um cenário irreal”, disse o especialista.
Qualquer falha de programação em um aplicativo precisa ser corrigida pelo desenvolvedor e aplicada pelos usuários com as atualizações de software.
A atualização pode depender apenas do app (como o WhatsApp, o Gmail, o YouTube e assim por diante), mas também pode ser necessário atualizar todo o sistema, caso o problema esteja presente em um componente comum que é apenas reaproveitado pelo aplicativo.
Como se prevenir?
Independentemente de onde uma falha está, a solução é a mesma: manter o sistema e todos os aplicativos sempre atualizados. Para usuários de Android, isso pode ser mais difícil, porque nem todos os fabricantes de smartphones são transparentes quanto aos prazos de atualização.
Porém, Altieres Rohr explicou que, para casos mais específicos, como o de Bezos, nem a atualização será capaz de evitar a invasão. Pessoas muito expostas, como ele, podem ser atacadas por falhas inéditas e desconhecidas.
Fonte: ECONOMIA

Aqui você pode expressar sua opinião livremente.

%d blogueiros gostam disto: