Sobrevivente de ritual que terminou em morte no Panamá relata agressões

Sobrevivente de ritual que terminou em morte no Panamá relata agressões


Integrantes de seita mataram a filha de Dina Blanco e outras seis pessoas durante ritual em zona isolada na selva panamenha. Nove pessoas foram presas acusadas de assassinato. Dina Blanco mostra marcas das agressões sofridas durante ritual de seita religiosa no Panamá
Juan Zamorano/AP Photo
Um ritual em El Terrón, vilarejo no interior do Panamá, terminou com a morte de sete pessoas na semana passada, em um caso que chamou a atenção do país sul-americano pela violência da seita intitulada “A Nova Luz de Deus”. Nove pessoas foram acusadas pelos assassinatos.
Dina Blanco, sobrevivente do ritual contou à agência Associated Press os momentos de terror vividos diante dos criminosos. A filha dela, Inés, de 9 anos, que sofria de epilepsia, morreu na cerimônia.
Segundo o relato, a seita havia se instalado no vilarejo três meses atrás, em uma igreja improvisada com madeiras. Um integrante do grupo, então, alegou que teve visões que o dizia para “exterminar os incrédulos”.
Então, conta Dina, uma vizinha chamada Olivia a chamou para um encontro da seita “A Nova Luz de Deus” — Era para ela ir “querendo ou não”, relata a vítima.
Ela seguiu a vizinha e foi ao encontro, acompanhada do pai, do filho de 15 anos e da menina Inés. O pai e o rapaz conseguiram fugir.
Quando chegaram, os sacerdotes pediram que eles não abrissem os olhos e que dessem as mãos e disseram que eles estariam “na presença do Senhor”.
“Então, eu senti alguma coisa bater na minha cabeça, e eu não sei o que aconteceu comigo. Eu caí, de joelhos”, conta Dina.
Investigadores disseram que os sacerdotes usaram clavas, facões e até exemplares da Bíblia para agredir os fiéis. “E eles continuaram a me dizer para que eu não abrisse os olhos”, detalha a vítima.
“Eu ouvi tambores, acordeões, gritos, choros. Eu estava presa”, narra Dina.
As autoridades panamenhas também dizem que alguns dos fiéis foram forçados a se despir e a caminhar sobre brasas acesas.
Sandálias foram deixadas em chão lamacento próximo de igreja improvisada onde ritual deixou mortos em El Terrón, no Panamá
Arnulfo Franco/AP Photo
E o pior ainda estava por vir: na madrugada, um integrante da seita se aproximou para dizer a Dina que sua filha, Inés, havia morrido.
“Os pássaros dos campos devem comer o corpo”, disse a voz a Dina.
Na verdade, Inés, assim como a vizinha grávida de Dina e cinco de seus filhos, foram assassinados no ritual. Segundo relatos, decapitados. Os corpos, nus, foram enrolados em redes e jogados em uma vala no cemitério do vilarejo.
Dina se recusa a acreditar que “não prestou atenção na morte da filha por estar na presença de Deus”, como disse uma liderança local. “Para mim, era o ódio que estava lá”, disse.
Local isolado
Homem navega em pequeno barco perto da comunidade de El Terrón, no Panamá, onde integrantes de seita mataram sete pessoas
Arnulfo Franco/AP
O vilarejo de El Terrón está encravado na selva do Panamá, perto da costa virada para o Caribe. O local fica isolado do resto do país — os cerca de 300 moradores devem andar horas por rotas lamacentas e estreitas até chegar a barcos que os levam a vilarejos um pouco maiores onde há eletricidade, telefone, clínicas e polícia.
Na cidade panamenha de Santiago, Dina ainda sofre com os ferimentos: ela tem hematomas na barriga, costas e mãos por causa das pancadas. Mas a maior dor é a interna.
NA ALEMANHA: Seita era suspeita de assassinatos com armas medievais em 2019
“Ela [a filha Inés] era uma menina com deficiência. Comprava remédios para ela tratar da doença que custavam US$ 3”, lamenta Dina, referindo-se a um valor bastante caro para os pobres trabalhadores rurais daquela região.
“E agora não vou mais tê-la em casa. É a minha maior dor.”
Fonte: MUNDO

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