O algoz de Trump

O algoz de Trump


Líder da equipe de promotores, o democrata Adam Schiff tentará arrastar o julgamento do impeachment do presidente americano, na contramão do que pretendem a Casa Branca e a maioria republicana no Senado. Adam Schiff, em imagem de arquivo
Nicholas Kamm/AFP
O time contratado pelo presidente Donald Trump para defendê-lo no julgamento do impeachment que recomeça nesta terça-feira (21) no Senado americano segue o roteiro programado pelo chefe: em sua linha central, ele não abusou do cargo nem tentou obstruir o Congresso, como pregam os dois artigos aprovados pela Câmara dos Representantes. Por isso, recomendam os advogados, os senadores devem rejeitar rapidamente o que chamam de farsa.
Liderada pelo deputado democrata Adam Schiff, a equipe de promotores da Câmara — são sete — busca justamente o contrário. Postergar o quanto for possível o julgamento, convocando testemunhas do alto escalão do governo para depor.
Não será fácil. Pelas regras apresentadas pelo líder republicano no Senado, Mitch McConnell, promotores e advogados da Casa Branca teriam, cada parte, 24 horas para apresentar seus argumentos, num período que se estenderia no máximo por quatro dias.
Veterano na Câmara há duas décadas, o discreto Schiff é visto agora como uma espécie de algoz de Trump. Tem o dom de irritar o presidente e já foi alvo de mais de 300 de seus tuítes, menosprezado em adjetivos que variam entre desonesto, traidor e desajeitado.
Donald Trump durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, no dia 21 de fevereiro de 2020
Denis Balibouse/Reuters
Como presidente do Comitê de Inteligência do Senado, tornou-se o rosto mais visível das acusações contra o presidente. Reforçou, mais de uma vez, que o abuso de poder praticado por Trump se deu numa escala mais significativa do que o escândalo de Watergate, que acabou levando à renúncia de Richard Nixon, em 1974.
Ex-promotor federal, aos 59 anos, ele tem habilidade para resumir didaticamente e de forma convincente a má conduta do principal inquilino da Casa Branca, ao pressionar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a investigar o filho do ex-vice-presidente Joe Biden. Ou ao sugerir que a ajuda de US$ 400 milhões ao país seria bloqueada.
Desde que o processo foi instaurado na Câmara, Schiff aumentou rapidamente para dois milhões o número de seguidores. Mas recentemente sua popularidade foi testada, e reprovada, no “Jeopardy!”, o consagrado programa de perguntas e respostas exibido desde a década de 1960. Os três concorrentes que participavam do show não conseguiram identificar uma foto do deputado.
Schiff e seu time de promotores do impeachment só terão êxito em seu intuito de arrastar o impeachment se conseguirem cooptar quatro senadores republicanos que ainda hesitam em aceitar um julgamento a toque de caixa. Mitt Romney, Susan Collins, Lisa Murkowski, e Lamar Alexander já se mostraram favoráveis a novos depoimentos de testemunhas, entre os quais, o do ex-conselheiro de Segurança Nacional John Bolton.
Em 110 páginas, a tese da defesa de Trump, sustenta que os dois artigos aprovados em dezembro pela Câmara são frágeis e constitucionalmente inválidos. E que o presidente foi vítima de um esforço partidário — no caso democrata — para derrubá-lo.
Nesse embate entre os dois partidos, os republicanos levam a melhor no Senado, mas os democratas ainda tentarão cozinhar em banho maria cada evidência que possa prejudicar a reeleição do presidente.
Trump assistirá de longe à reestreia do espetáculo — está em Davos, a mais de seis mil quilômetros, onde participa do Fórum Econômico Mundial. Porém, para quem, como ele, se vale das redes sociais em tempo integral, tão longe, tão perto.
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Fonte: MUNDO

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