'Luanda Leaks' revelam esquemas suspeitos de Isabel dos Santos, 'mulher mais rica da África'

'Luanda Leaks' revelam esquemas suspeitos de Isabel dos Santos, 'mulher mais rica da África'


O vazamento, cuja origem não foi detalhada, inclui trocas de e-mails, com todo o tipo de documentos em anexo. A fortuna de Isabel dos Santos é estimada em mais de 3 bilhões de dólares. Isabel dos Santos
Miguel Riopa/ AFP
Veículos internacionais que tiveram acesso a milhares de documentos secretos divulgam neste domingo (19) reportagens que revelam esquemas financeiros suspeitos nos negócios de Isabel dos Santos, filha mais velha do ex-presidente angolano José Eduardo dos Santos e conhecida como “a mulher mais rica da África”, e seu marido congolês, Sindika Dokolo. O poderoso casal almeja o topo do poder em Angola, com a provável candidatura de Isabel às eleições presidenciais.  
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Mais de 715 mil arquivos foram analisados pelo Consórcio Internacional dos Jornalistas de Investigação, incluindo a RFI e os jornais Le Monde ou The Guardian. Os documentos detalham o funcionamento interno de cerca de 400 empresas e filiais, criadas desde 1992 e espalhadas por 41 países, nos quais Isabel dos Santos e Sindika Dokolo têm negócios. A fortuna de Isabel é estimada em mais de US$ 3 bilhões, graças à a atuação em variados setores como energia, telecomunicações, bancos, varejo e imprensa, entre outros.
O vazamento, cuja origem não foi detalhada, inclui trocas de e-mails, com todo o tipo de documentos em anexo. As mensagens vêm de contas de e-mail de funcionários da Fidequity, umas das sociedades do casal sediada em Portugal, e de outras várias empresas ou prestadores de serviços. Os “Luanda Leaks” permitem esclarecer o papel de uma rede imensa de colaboradores, que questionaram muito pouco o controle que a família dos Santos exerceu sobre a economia angolana. Também indicam os valores astronômicos das transações financeiras ou imobiliárias do casal.
Em entrevista à RFI, Sindika Dokolo defende-se e fala em perseguição política. O empresário aponta o presidente João Lourenço e o antigo vice-presidente Manuel Vicente, e afirma que “o braço armado deste complô é Rui Pinto” – o hacker português por trás do Futebol Leaks e acusado pela justiça portuguesa de 90 crimes.
“Nós sabíamos que várias das nossas empresas tinham sido alvo de um hacker português. Estes documentos foram guardados e estão, hoje, a ser instrumentalizados para controlar por completo os nossos bens no estrangeiro. Eles utilizam os órgãos de comunicação social para manipular a opinião dos governos», disse Dokolo.
O ex-presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.
Alain Jocard/AFP
Pai governou por 38 anos
O pai de Isabel governou o país por 38 anos. Até ao dia 27 de setembro de 2017, o clã dos Santos era intocável em Angola. Nesse dia, o sogro de Sindika Dokolo perdeu a presidência e, desde então, a família acumula, em Angola, contratempos administrativos e judiciais.
“É uma batalha que o regime pretende fazer em nome da luta contra a corrupção, mas ele não ataca os mandatários das empresas públicas acusados de desvio de fundos, ataca apenas uma família que opera no setor privado”, acusa, indignado, o genro do ex-chefe de Estado.
Rede de cúmplices
Nas centenas de milhares de páginas, Isabel dos Santos e Sindika Dokolo intervêm raramente de forma direta. Eles refugiam-se por de trás de meia dúzia de intermediários, homens e mulheres de confiança que colocam na liderança de uma «teia de sociedades» espalhada por todo mundo. Foram transferidos do Luxemburgo para Portugal milhões de euros em dinheiro líquido, circularam da Suíça para a França milhões em diamantes, sem que qualquer questionamento mais aprofundado fosse feito sobre as transações.
As reportagens, que serão divulgadas ao longo das próximas semanas, vão dar munição aos inimigos de uma das famílias mais ricas e protegidas da África. O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) recebeu os documentos da Plataforma de Proteção de Whistleblower da África (PPLAAF), uma jovem organização lançada por dois advogados para proteger os responsáveis pela divulgação de documentos de interesse público no continente.
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Fonte: MUNDO

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