A experiência de se tornar uma autora best-seller aos 70 anos

A experiência de se tornar uma autora best-seller aos 70 anos


Em sua estreia na ficção, Delia Owens já vendeu mais de 4 milhões de livros Delia Owens, autora de “Um lugar bem longe daqui”
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Essa é uma história inspiradora, perfeita para um domingo. A zoóloga norte-americana Delia Owens já havia publicado obras de sucesso em sua área de pesquisa, sobre os mais de 20 anos durante os quais viajou regularmente para Botsuana e Zâmbia para estudar leões, hienas e elefantes.
No entanto, nunca havia se aventurado na ficção, tanto que a editora decidiu que seu livro de estreia como romancista teria uma edição de 28 mil cópias – um número expressivo para o mercado brasileiro, mas que não impressiona para os padrões americanos.
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A trama não se enquadrava num gênero específico e o título era meio esquisito: “Where the crawdads sing”, algo como “Onde os lagostins cantam” – a tradução em português é “Um lugar bem longe daqui”.
Isso foi no verão de 2018. No fim de 2019, a história da menina Kya Clark, abandonada pela família e obrigada a se virar sozinha numa região de pântanos da Carolina do Norte, já tinha vendido mais de 4 milhões e meio de exemplares e 41 países haviam comprado os direitos autorais.
Capa do livro “Where the crawdads sing”
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O jornal “The New York Times”, onde o livro ainda figura na lista dos best-sellers, registrou o sucesso em reportagem que mostrava que os números da cientista ultrapassavam as vendas dos últimos lançamentos dos pesos pesados Stephen King, Margaret Atwood e John Grisham juntos.
A vida reclusa de Delia Owens deu uma guinada, com uma viagem atrás da outra para encontrar os fãs que se multiplicaram, e ela declarou que nunca havia se conectado tão intensamente com as pessoas.
O enredo é universal e foge da polarização que tomou conta da política e transbordou para a cultura: a jovem Kya vive isolada, tem que lidar com uma brutal solidão e ainda é acusada de homicídio. Além do boca a boca positivo, a obra ganhou uma fada madrinha: a atriz Reese Witherspoon a recomendou em seu clube de leitura e pretende adaptá-la para o cinema.
Delia começou a trabalhar no livro há dez anos e, apesar de se tratar de ficção, se valeu da experiência, desde a infância, de se aventurar em florestas. Sua mãe costumava encorajá-la dizendo: “go way out yonder where the crawdads sing” (algo como “vá além de onde os lagostins cantam”, ou seja, ultrapasse quaisquer limites), que acabou se tornando o título do romance.
Abraçou uma profissão que a levou para regiões selvagens, o que fez com que o isolamento fosse algo bastante presente em sua trajetória. Foi depois de se aposentar que Delia deu vida a suas vozes internas, o que a torna uma inspiração para todos nós.
E antes que alguém diga que isso só acontece nos EUA, gostaria de dar o exemplo da portuguesa Sofia Silva. Em 2014, ela estreou na plataforma de autopublicação Wattpad com a série “Quebrados”, onde alcançou mais de um milhão de leituras. Hoje é uma autora festejada, mas só foi publicada em Portugal depois de estourar no Brasil.
O blog entra num breve recesso e estará de volta no dia 4 de fevereiro. Até lá!
Fonte: SAUDE

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