Twitter pede desculpas por permitir anúncios direcionados a neonazistas

Twitter pede desculpas por permitir anúncios direcionados a neonazistas


Investigação da BBC descobriu ser possível segmentar anúncios com palavras-chave sensíveis, como ‘transfobia’, supremacista branco” e ‘anti-gay’. Sede do Twitter em São Francisco, nos EUA.
Jeff Chiu/AP
O Twitter se desculpou por permitir que anúncios neonazistas, homofóbicos e de outros grupos de ódio fossem direcionados para parte de seus usuários.
A BBC descobriu o problema e isso levou a empresa de tecnologia a agir.
Nossa investigação descobriu que é possível segmentar usuários que demonstraram interesse em palavras-chave, incluindo “neonazismo”, “supremacista branco”, “transfobia” e “anti-gay”.
O Twitter permite que os anúncios sejam direcionados aos usuários que publicaram ou pesquisaram tópicos específicos.
Mas a empresa já pediu desculpas por não excluir termos discriminatórios.
Organizações não governamentais que monitoram e combatem discurso de ódio já tinham levantado a preocupação de que a plataforma de publicidade da empresa de tecnologia americana pudesse ter sido usada para espalhar intolerância.
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Qual foi exatamente o problema?
Como muitas empresas de redes sociais, o Twitter cria perfis detalhados sobre seus usuários, coletando dados sobre o que eles publicam, curtem, assistem e compartilham.
Os anunciantes podem tirar proveito disso usando suas ferramentas para selecionar o público para suas campanhas em uma lista de características, por exemplo, “pais de adolescentes” ou “fotógrafos amadores”.
Eles também podem controlar quem lê as mensagens deles usando palavras-chave.
O Twitter fornece ao anunciante uma estimativa de quantos usuários devem ser atingidos por aquele resultado.
Por exemplo, um site de carros que deseja alcançar pessoas usando a gíria “petrolhead” (“cabeça de gasolina”, em tradução livre) seria informado de que o público potencial está entre 140 mil e 172 mil pessoas.
Palavras-chave ajudavam a direcionar anúncios para públicos específicos — incluindo termos de ódio
BBC
As palavras-chave do Twitter deveriam ser restritas.
Mas nossos testes mostraram que era possível anunciar para pessoas usando o termo “neonazista”.
A ferramenta de anúncios havia indicado que, no Reino Unido, isso atingiria um público potencial de 67 mil a 81 mil pessoas.
Outros termos mais sensíveis também funcionavam.
Como a BBC testou isso?
Criamos um anúncio genérico a partir de uma conta anônima no Twitter, dizendo “Feliz Ano Novo”.
Em seguida, segmentamos três públicos-alvo diferentes com base em palavras-chave sensíveis.
O Twitter disse que os anúncios em sua plataforma seriam revisados ​​antes do lançamento, e o anúncio da BBC entrou inicialmente em um estado ainda “pendente”.
Mas logo depois foi aprovado e funcionou por algumas horas até que parássemos.
Até ali, 37 usuários viram a postagem e dois deles clicaram em um link anexado, o que os levou a uma notícia sobre memes. A execução do anúncio custa £ 3,84 (o equivalente a R$ 21).
Segmentar um anúncio usando outras palavras-chave problemáticas pareceu igualmente fácil.
Uma campanha usando as palavras-chave “islamophobes”, “islamaphobia”, “islamophobic” e “#islamophobic” (todas relacionadas ao ódio contra muçulmanos) tinha um potencial para atingir entre 92.900 a 114 mil usuários do Twitter, de acordo com a ferramenta do próprio Twitter.
Também foi possível fazer anúncios para grupos vulneráveis.
Fizemos o mesmo anúncio para um público de 13 a 24 anos de idade, usando as palavras-chave “anorexic” (anoréxica/o), “bulimic” (bulímica/o), “anorexia” e “bulimia”.
O Twitter estimou que o público-alvo era de 20 mil pessoas. A postagem foi vista por 255 usuários e 14 pessoas clicaram no link antes de interrompermos.
O que os ativistas disseram?
A Hope Not Hate, uma instituição anti-extremismo, disse temer que os anúncios do Twitter possam se tornar uma ferramenta de propaganda para a extrema direita.
“Vejo isso sendo usado para promover o engajamento e aprofundar a convicção de indivíduos que indicaram alguma ou parcial concordância com causas ou ideias intolerantes”, disse Patrik Hermansson, pesquisador de redes sociais.
A Instituição Contra a Anorexia e Bulimia acrescentou que acreditava que a ferramenta de publicidade já havia sido ajustada.
“Estou falando sobre meu distúrbio alimentar nas redes sociais há alguns anos e tenho sido alvo muitas vezes de anúncios baseados em suplementos alimentares, suplementos para perda de peso, cirurgia corretiva vertebral”, disse Daniel Magson, presidente da organização.
“É um gatilho para mim, e estou fazendo uma campanha no Parlamento para acabar com isso. Portanto, é uma ótima notícia que o Twitter tenha agido agora.”
O que o Twitter diz?
A rede social afirmou ter políticas em vigor para evitar abusos da segmentação por palavras-chave, mas reconheceu que elas não foram aplicadas corretamente.
“As medidas preventivas incluem a proibição de certos termos sensíveis ou discriminatórios, que atualizamos continuamente”, afirmou em comunicado.
“Nesse caso, alguns desses termos foram permitidos para fins de segmentação. Isso foi um erro. Lamentamos muito o ocorrido e, assim que fomos informados sobre o problema, o corrigimos.”
“Continuamos aplicando nossas políticas de anúncios, inclusive restringindo a promoção de conteúdo em uma ampla variedade de áreas, incluindo conteúdo impróprio direcionado a menores.”
Fonte: ECONOMI

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