Entenda o que é o dietilenoglicol, substância encontrada em cerveja de Belo Horizonte


Substância pode provocar intoxicação com sintomas como insuficiência renal e problemas neurológicos. Laudo da Polícia Civil ainda é preliminar e não há como confirmar a responsabilidade da empresa fabricante no caso. Local de produção da cerveja mineira Backer
Gustavo Andrade/Backer/Divulgação
O uso de uma substância chamada dietilenoglicol (DEG) no processo de fabricação de cerveja vem sendo investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais. Um laudo confirmou a presença da substância em duas garrafas de cerveja encontradas em casas de pacientes internados com sintomas de uma síndrome desconhecida.
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A polícia informou que o laudo ainda é preliminar e que não há como confirmar a responsabilidade da empresa fabricante no caso. Ele foi realizado pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil.
Sete pessoas estão internadas com sintomas de intoxicação em hospitais de Belo Horizonte e de Nova Lima, região metropolitana. Uma morreu.
Abaixo entenda o que é o dietilenoglicol, usado em processos industriais, mas raro em cervejarias, segundo um dirigente do setor.
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O que é o dietilenoglicol?
O dietilenoglicol (DEG) é uma substância de cor clara, viscosa, não tem cheiro e tem um gosto adocicado. A fórmula química é C4H10O3. Ela é anticongelante e de uso bastante comum na indústria.
A ingestão pode provocar intoxicação com sintomas como insuficiência renal e problemas neurológicos.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a substância é um solvente orgânico altamente tóxico que causa insuficiência renal e hepática, podendo inclusive levar a morte quando ingerido.
A intoxicação por DEG pode ocorrer quando ele é usado de forma inapropriada em preparações químicas, substituindo outros produtos não tóxicos para o ser humano. Desde 1937, foram registradas dezenas de casos de intoxicação em diferentes países.
Quais as utilizações do dietilenoglicol?
É muito usado como solvente para produtos químicos e drogas que não dissolvem em água.
Na fabricação de cerveja, pode ser usado no processo de resfriamento da bebida.
Pode ser usado na indústria farmacêutica.
É frequente na produção de cosméticos, lubrificantes, combustíveis para aquecimento e plastificantes.
É comum o uso da substância na produção de cerveja?
Segundo Carlo Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), o uso do dietilenoglicol é muito raro em cervejarias. “Normalmente, as cervejarias usam álcool puro, sem nenhum tipo de conservante ou agente químico, misturado com água, numa proporção de 30%, para refrigeração dos tanques”, explica.
Além de dizer que é raro o uso na indústria cervejeira, Lapolli afirma que o nível de toxicidade da substância não é alto. “Precisaria ser consumida uma quantidade muito grande para que haja o efeito visto em Minas Gerais. É preciso aprofundar a investigação é ver se as causas são mesmo essas”, comenta.
A refrigeração dos tanques de cerveja é feita por meio de um circuito fechado. O álcool com água gelada vai passando por tubos chamados de “serpentina” ao redor do tanque de cerveja. “Ela não tem contato direto com a cerveja”, afirma.
Lapolli acrescenta que a substância mais utilizada na produção de cerveja é o propilenoglicol, que pode ser consumido por seres humanos.
“Também é usado misturado com água. Para a cerveja chegar perto da temperatura zero, precisamos que a serpentina esteja a -5ºC ou -6ºC. Com a água pura, ela congelaria, por isso colocamos algum tipo de aditivo, um anticongelante”, conta.
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Também o o diretor da Abracerva, vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas de Minas Gerais (Sindibebidas) e mestre-cervejeiro, Marco Falcone, diz que o dietilenoglicol não costuma ser usado na indústria cervejeira e que o caso de Belo Horizonte lhe causa grande estranhamento. ““As fábricas usam o polipropilenoglicol ou o etanol, substâncias alimentícias, que não provocam contaminação. E ainda são usadas externamente”, afirma.
A empresa envolvida no caso de Belo Horizonte, a Backer, disse em nota que a substância encontrada nas garrafas investigadas não faz parte do seu processo de produção. Os lotes envolvidos serão recolhidos do mercado, por precaução. Na quarta-feira (8), a empresa negou que a bebida possa ter relação com os sintomas apresentados pelos pacientes internados.
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Fonte: Saude

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